quinta-feira, 6 de agosto de 2015

As boas mulheres da China - Xinran.

Há muito tempo eu não lia algo que me fazia verter em lágrimas, na verdade foi a muito tempo que um livro teve a capacidade o fazer, eu tinha meus dezesseis anos quando aluno do colegial li Olga do Fernando Moraes - sim, ao final do livro ao ler a carta que Olga escreve a sua filha que acabara de nascer e a qual nunca veria em vida, é impossível não verter em lágrimas, e pensar: Por que há tanta maldade no mundo? Porque as mulheres, sofrem verdadeiras atrocidades, violências das mais diversas formas e partindo as mais diversas partes? Porque muitas vezes estas mesmas mulheres são retratadas em vários relatos como menos que animais? A mulher seria um subproduto da humanidade, ou de uma sociedade patriarcal e machista?     
                                                     
Tal qual Balzac eu sou fascinado pela figura feminina, seus encantos e sua pluralidade deveriam, em minha opinião, ser objeto de estudo profundo por parte dos homens, dado que não é raro ver estas mulheres em posição de liderança e franco destaque em nossa sociedade, sua leveza e mistérios as tornam fascinantes. Estas senhoras deveriam sim ser objeto de um estudo sério, já que no início de nossa sociedade a mulher tinha uma posição de Deusa, pois eram as únicas que poderiam trazer outro a luz. Infelizmente evoluímos/involuímos. E os papeis se inverteram drasticamente!
Pois bem, feito estas considerações, vamos ao que interessa, a resenha -  está mulher é o objeto de estudo do livro "As boas mulheres da China", onde a autora reescreve alguns relatos que presenciou ao longo de seus anos como repórter de uma emissora de rádio onde dirigia um programa que era voltado ao universo feminino, em uma sociedade comunista que atenuou esta divisão de sexos, logrando a mulher uma posição de mera sombra!   


Como se sabe no século passado a China veio a passar pela maior revolução de sua história, chamada de revolução cultural chinesa que ocorreu em 1966, foi um levante social / político que instaurou o comunismo na China, esta ação do povo foi brutal e não poupando ninguém que se opôs ao sistema.       

       
A  partir deste panorama histórico, o livro parte de cartas e os relatos recebidos pela autora em seu programa, estes casos são descritos por Xinran muitas vezes minuciosamente e fazem até a pessoa mais dura vir se desmanchar ante a brutalidade e animalidade da capacidade humana ou melhor “inumana” ante a perda da razão, e dos princípios norteadores da sociedade! Fruto deste momento político/histórico, a ausência de sanidade por parte dos homens é uma constante no texto; estupros coletivos, violência social, violência no âmbito familiar, nem as crianças foram poupadas! Em fim, as mulheres da China eram menos valorizadas que os animais, e muitas vezes seu uso era apenas para fim reprodutor.  


Eu gostaria de poder fornecer este livro a todos que sabem ler, não porque as atrocidades contidas nele tragam regozijo a alguém, mas simplesmente porque eu gostaria que cada um ao ler esta obra criasse a consciência de que a violência é a verdadeira ausência da razão! E que este leitor pudesse vir a criar a certeza de que nunca mais a humanidade daria  espaço para tais atrocidades.


A edição que eu li é da Companhia das Letras, porém é do seu selo pocket, aqueles livros de bolso americanos. A Edição é boa apesar de não possuir orelhas na contra capa. O papel é amarelo, facilita a leitura. Em fim é uma edição barata e de boa qualidade. Comprei o meu em um sebo em SP, pagando apenas R$ 8,00. Uma pechincha para uma obra deste tamanho.



Título original:  THE GOOD WOMEN OF CHINA - POCKET
Tradução: Manoel Paulo Ferreira
Páginas: 256
Formato:  12.50 x 18.00 cm
Acabamento: Brochura
Selo: Companhia de Bolso